Fósforo.

Acendo um fósforo, para o ver consumir-se a ele próprio, na esperança que me derreta o corpo, que se arrasta, de um lado para o outro, de queixo caído.

Rasgo as minhas roupas, trapos inúteis que fazem do meu corpo, um bocado de carne oculta e nojenta, na esperança de rasgar a tristeza e deixar entrar alguma luz.

 

Diz alguma coisa, finge que te preocupas. Vem! Fala comigo, enquanto ainda consigo ouvir a tua voz, por entre os gritos dos demónios que me consomem as entranhas e me puxam, acorrentado, para debaixo da terra.

 

Diz alguma coisa, nem que seja só o meu nome. Se conseguires, grita o meu nome, para eu saber que ainda me sabes.

 

Será que me consegues ver no escuro?

publicado por Gualter Ego às 15:33 | link do post | comentar