Miragem.

Vi-a no passeio, bem agasalhada, com um certo brilho nos olhos. Era pálida, morena, com o cabelo curto e de lábios carnudos, com sede de outros. Vestia um casaco comprido e tinha um cachecol ao pescoço. Uma máquina fotográfica pendia-lhe do pescoço. Eu via-a, só a ela, como em câmara lenta, com o mundo e as pessoas a passar apressadas por trás dela. E os fumos, o cinzento, as poças, as beatas largadas ao chão, nada disso tirou brilho a esta pintura.

 

Ela esticou um braço e um táxi parou. Senti a minha respiração a ir-se embora.

 

 

 

 

publicado por Gualter Ego às 16:49 | link do post | comentar