Anónimo.

Sentei-me à frente de um senhor, no metro.

Não lhe sabia o nome, nem a idade, nem lhe sabia o número ou se é casado ou não.

E continuei sem saber.

 

Era alto, mesmo sentado. Era dono de uma envergadura digna de ser apelidada de avantajada. Tinha bigode e os olhos tremiam-lhe, meio lacrimejantes.

 

Batia com os polegares um no outro e esticava os beiços enquanto olhava para cima e para os lados, como se estivesse preocupado.

 

Gostava de lhe escrever mil e um, ou apenas um, destinos, mas não me sinto digno. Gostava de saber o que o afligia, mas não me sentiria capaz de o ajudar, porque eu não o mostro, mas lacrimejo tanto quanto ele.

publicado por Gualter Ego às 18:24 | link do post