A vida aborrecida de um serial killer IV

(...) Dito isto, puxou o cabelo para trás, e, num ápice, agarrou-se ao pescoço da mulher, com a mão direito tapando-lhe a boca, para evitar sobressaltar qualquer alma viva que passeie por aquele parque. Puxou-a, arrastando-a, para trás de uns arbustos densos, ajoelhou-se com ela entre os seus joelhos e tirou o cinto das calças, enquanto ela se debatia, esperneando e, agora, gritando livremente. Mas o ar de Paris parecia intocável e ninguém a ouvia gritar. Passou o cinto em volta do seu pescoço fino e majestoso, tão branco que parecia esculpido a martelo e cinzel, e apertou.

 

Apertou e continuou a apertar, até as suas mãos pararem de o tentar impedir. Ela, agora morta, olhava, sem olhar, lugar nenhum. Noel, passou-lhe a mão pelos olhos, fechando-os, e, com respeito, em jeito de agradecimento, beijou-lhe a testa. Saiu de trás dos arbustos e o parque continuava vazio. Recolheu o seu livro e o livro dela. Para recordação, um par de luvas negras.

publicado por Gualter Ego às 02:50 | link do post | comentar