Morte.

"Dois dias depois, outro homem se levantou da cama pelas três da manhã e disse, como quem declarava uma verdade inquestionável:
-Estou a morrer.
Desta vez não havia ninguém ao seu lado. Voltou a deitar-se e adormeceu."

 

Pedro Zambujo

 

 

Estamos a morrer, é a triste feliz notícia, de que a vida não tem sentido, sequer qualquer objectivo que nos faça achar que estamos neste mundo podre e infernal, respirando o ar sujo da manhã e do resto do dia que percorremos, em rotina desmesurada, achando que ter uma carreira é ter uma vida, para fazer alguma coisa de significante, até que tudo se apaga num último suspirar, num último pestanejar, como aquele se dá antes de adormecer, mas com este não se acorda mais. Morrer é descansar, é a rotina que temos, acrescentada à rotina que fazemos, porque o homem inventou a pressa, depois de inventar o tempo, para impôr a ordem no mundo, sem pensar que é tudo um esforço sem sentido.

 

Morrerei feliz, julgo.

publicado por Gualter Ego às 15:30 | link do post | comentar