De noite.

A luz da Lua esconde-se por detrás das nuvens que pintam o céu e cegam as estrelas. Está escuro na rua e cá dentro.

 

 

 

Ele está de olhos abertos ao vazio escuro dos poucos metros quadrados do quarto dele.

Range os dentes, lambe os lábios secos num esgar neurótico, arranha as paredes.

Grita, até se encher de dor.

Volta-se nos lençóis, revolta-se na cama, geme-lhe o corpo, involuntariamente.

 

Depois, subitamente, a luz do candeeiro do tecto acende-se.

Ouve vozes a pedir-lhe perdão, a rogar-lhe pragas, a dizer que ele perdeu a inspiração e o dom.

 

Arranca os dedos à dentada e sentenceia-se a ele próprio: "Quero-te ver escrever agora. Quero ver se te agonias por não saberes das palavras..."

 

 

 

 

publicado por Gualter Ego às 20:23 | link do post