De noite.

Há as histórias da minha avó, que passou por duas guerras mundiais, mas só se lembra de uma, a segunda e de um tio que ficou coxo na primeira. Conta-me a fome que passou e as horas dormidas por noite, que se contavam com uma mão, diz ela.

 

Há uma chama alimentada a pavio e cera que não é cera, é glicerina, que me alumia os dedos que percorrem as trastes de madeira da guitarra, fazendo soar as primeiras notas de uma música qualquer dos anos 60.

 

Há uma chávena de chá de lúcia-lima com mel em cima da mesa, para curar a enfermidade que me atormenta, que pouco ou nada é mais que uma constipação.

 

Apagou-se a vela.

 

publicado por Gualter Ego às 23:33 | link do post | comentar