Sábado, 30.04.11

Vestidos.

Não me importam os gritos,

Nem os grunhidos, nem os queixumes, nem os gemidos:

Vais perecer na ponta da minha espada,

Na ponta afiada da minha vingaça.

Vais sentir o frio travo do metal

Subir-te à boca e

Derreter-se na tua intocável língua.

E vais querer pedir perdão com os teus olhos

Esbugalhados, lânguidos assustados,

Olhos esses, que de tão vazios, eram,

Outrora, destemidos.

 

Pois está dito que,

Milady,

Os melhores vestidos são feitos

Para ser despidos.

publicado por Gualter Ego às 00:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 29.04.11

Verborreias.

Acabo de mijar e sacudo a pila. Sacode, sacode, sacode, mais que três vezes é punheta. E há sempre uma teimosa e irritante pinga de mijo que não se priva de apenas e só se soltar, em seu real louvor, no tecido da cueca. Regra universal, tanto quanto aquela de, sempre que for possível, o indivíduo em questão ter a fineza de mijar sempre a um urinol de distância do outro gajo que está a mijar. Se a pila fungasse, não precisava eu de a sacudir. Lavar as mãos? Tenho a pila limpa e a minha mãe sempre me ensinou a não mijar para as mãos. Tenho é de treinar a pontaria, e desconfio que não sou o único, ando farto de limpar o mijo dos outros do tampo da sanita quando me dão as cólicas matinais de uma mistura continental de café com borras e leite e preciso de ir cagar. Bom dia.

Ando comigo próprio pela mão, arrastando a carne, enchendo as roupas e voltando os olhos, mirando de soslaio àquele eu que me puxa sem dó nem ponta de misericórdia.

7:20, despertador. Não é às sete, nem às sete e meia, é às sete e vinte. Sinto-me um filho da puta de um colarinho branco.

Todo o dia é um correrio de vãos de escada impestados de gordura, esporra e sabe-se lá mais o que é que esta gente traz nas mãos. A vida é que não é, de certeza. Todo o dia é o déjà vu de um déjà vu, a repetição dos mesmos fotogramas: o mesmo filme de domingo á tarde, as mesmas caras, os mesmos cheiros, a ração de cada dia nos dai hoje, e hoje, e hoje. E o hoje é o aborto do ontem. E o amanhã é o pessimismo insustentável do hoje.

Sou o filho bastardo que Deus teve com o Diabo. E todos vós, sóis, sem querer ofender vossas muy prestáveis mentes brilhante, filhos bastardos de uma punheta que ficou a meio.

publicado por Gualter Ego às 23:32 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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