A taberna.

O pão foi feito esta tarde, ainda fumega, e já vai em quarto minguante. O queijo é talhado ao gosto e jeito de cada qual e há muito que destes copos não se vê o fundo. E são copos como deve ser, sempre limpos, sem traço de sebo nem de borra, grandes, que se ajeitam bem à mão. Ora que vai acima, à luz fraca, e não tem borra, não senhor, vai abaixo, não tem mosquito, melhor, tu da direita não queres, e tu da esquerda também não, então mais vale botá-lo pela goela antes que venha algum cheio de sede.

E assim se vai puxando pela conversa e pela barba, e se fala disto e daquilo e correm as horas e vão dormir as mulheres. Acaba-se o pão, come-se o queijo sem ele, ora tem que ser, um toucinho de presunto é que vinha a calhar, diz um, lá no canto, já com o nevoeiro dos olhos, sentado, para não cair.

É aqui que se fazem os homens, na taberna do vizinho, e não se apoquentem, que eles sóbrios, daqui, não vão sair. E quando já lhes pesar a consciência e tiverem de ir aquecer as respectivas esposas no leito do auspicioso matrimónio de cada um, eles lá hão-de encontrar o caminho, uns indo mais tortos que outros, aos tranglomangos e aos solavancos. Mas sempre me disse a minha avó que eles, do chão, não passam.

publicado por Gualter Ego às 22:05 | link do post | comentar | ver comentários (3)