Sábado, 12.03.11

Fiat.

Fiat lux. Et lux facta est.

Se lá está escuro é porque eu lá não estou; nalgum lugar eu hei-de estar, sem querer lá estar.

publicado por Gualter Ego às 15:47 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sobre o futebol.

Ou bem que se é adepto, ou bem que se sabe ver as coisas. Não quero estar aqui a gabar-me, mas eu não sei ver coisa nenhuma. Se é para ser adulto e ponderado, dedico-me à química analítica. O futebol não é para isso.

- Ricardo Araújo Pereira

 

 

A minha falta de racionalidade é empírica e hipotética, e desprovem-se a ela própria de compaixão ou contenção nas palavras, mesmo que isso aconteça apenas durante noventa minutos, todas as semanas.

Sou uma pessoa que só enche a boca para dar um "foda-se!" sentido quando a bola vai ao poste, ou que gosta (e tenho realmente um sádico prazer em o fazer) de insultar sem embaraços a mãe do senhor juiz da partida.

Assistir a um jogo de futebol não é assistir a um jogo de futebol. Os gregos lutavam em pelota, e os espartanos o mesmo, mas até à morte e com pouco mais de 7 anos, ainda nem chegavam aos colhões do pai em altura, e, os romanos lutavam, os gladiadores, pois, com feras e bestas e o público rejubilava cada vez que via alguém ser degolado ou um crânio a ser esmagado ou um leão a esventrar um escravo.

Nessas expressões de masculinidade, pronto, na parte grega eu deixo a masculinidade em ponderação individual, que eram os combates de gladiadores, conseguia cheirar-se, até mesmo saborear-se, a testosterona. Por cima do cheiro a cavalo, claro.

Assistir a um jogo de futebol é, portanto, e enumero, um ritual de passagem, um rito de louvor à virilidade, noventa minutos em que o QI de qualquer adepto desce vinte pontos e tornamo-nos todos miúdos da quarta classe: "O Benfica é melhor que o Sporting, porque o Sporting é verde e o ranho também!".

Assistir a um jogo de futebol, tem o mesmo efeito que entrar num balneário de rapazes: um sentimento enorme de culpa (quando se sai do café, após o apito final; quando se sai do balneário a pensar numa melhor piada sobre a mãe do outro, para próxima vez que se tiver Educação Física) e remorso, pela falta de "homo-sapien-sapienismo" em que ali se participou.

O futebol não é para ser levado a sério. O que é para ser levado a sério é a mística do futebol. Sim, eu disse mística e não me importo, não sou o Luís Freitas Lobo, nem o Rui Santos, não sei o que são vasculações, ou outros termos para dizer que tal jogador... correu. Quando as mulheres deixarem de dizer que o futebol é, e cito, "vinte e dois marmanjos a correr atrás de uma bola", o mundo, então, tornar-se-á num lugar muito melhor.

A primeira vez que gritamos, no meio do café, com 9 anos, "Gatuno!", para a televisão e todo o auditório te segue, chama-se baptismo. Quando a primeira mini é bebida ao lado do pai, à custa do Benfica ser campeão onze anos depois da última vez, a primeira comunhão. Quando a primeira vez que se diz um palavrão ao lado do pai é quando o Simão Sabrosa falha um penalty, a isso se chama confirmação, ou quando ninguém diz nada no carro, depois ver o Benfica levar cinco do Futebol Clube do P****, é a penitência. Pode dizer-se que o futebol é uma espécie de catequese. Mas uma catequese que interessa.

Se não houvesse futebol, o povo ia falar de quê? Política? Por amor de Deus! Arriscavamo-nos a ter uma nação de pessoas com opiniões! Acertadas, pelo menos.

publicado por Gualter Ego às 14:36 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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