Sábado, 05.03.11

Preguiça.

É uma verdade imperial, que a cama se transforma durante a noite, apenas para se tornar mais confortável de manhã e nos prender. E tudo nela cheira a sonhos e a dormir. A fronha, os lençóis, o pijama. Tudo cheira a preguiça, a ramelas, a pesadelos... Dormir é metafísica bruta. Dormir é o mais próximo do céu, o utópico, não aquele que é azul e tem nuvens, que alguma vez poderemos chegar. Dormir, pensava ela, acordada pelo ladrar a quatro tempos dos cães da vizinhança, é um pedaço de morrer. E todos esses intervalos de viver, que eram as noites que passava a dormir, e nunca nada lhe tirava o sono, tinha-os como sagrados. Eram as horas destiladas no vazio, escorrendo nos lençóis, derretendo-se em si próprias, no descanso, no sereno poisar do corpo, até ao nascer do sol.

- Ontem tentei matar-me... - sussurrou, lentamente virando a cabeça para o lado esquerdo.

- Hum? - ouviu-se do outro lado, como se fosse uma espécie de grunhido cansado, vindo da garganta de um homem moreno.

- Ontem tentei matar-me. Tentei cortar os pulsos... - repetiu.

- E o que é que te impediu? - perguntou-lhe, ele, sem saber muito bem o que estava a dizer.

- Se sobrevivesse, teria que limpar o sangue do chão...

publicado por Gualter Ego às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (4)

(...)

publicado por Gualter Ego às 17:35 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Da música e da poesia.

É um estado psicológico que me persegue, estes suspiros, estes comichões, este desarranjo de toques. Não posso culpar a cafeína, não posso culpar as horas, tanto acordadas, como bem ou mal dormidas. Não posso sequer culpar o barulho. Limito-me a ficar desapontado com tudo aquilo em que toco. (A diferença entre uma canção e um poema é um muro bastante delgado, mas alto, mais alto que eu, tão alto que eu queira ser); e sim, é isto que me está a tirar o sono. Maneira de dizer, não tenho sono nenhum, mas aquilo, isto, é algo que me preocupa. É sem razão, eu sei, eu sei, eu sei, mas porra, deixem-me estar! Dói-me os dedos, dói-me a carne, os olhos, tudo. E dói-me a melodia, oxalá que doesse.
publicado por Gualter Ego às 16:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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