Domingo, 23.01.11

Dois, sem chegar a um.

De uma mão quente,

De uma outra, à sua vez fria,

Reza esta história,

Escrita nos intervalos entorpecidos da memória.

 

Talvez dois,

Não seria apenas um,

Estaria pela metade;

Para dizer verdade,

Não sei se cheguei a contar,

Era tarde,

E a Lua deixou de te alumiar.

 

Chegou depois um olhar,

Outro,

Outro,

Sorrisos em passada lenta,

Brancura de dentes, aqui se acrescenta.

Chegou a vontada de dormir,

E a rua mandou-me fugir.

publicado por Gualter Ego às 03:20 | link do post | comentar

Carnes.

O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes.

- Charles Baudelaire

 

Elixir, néctar, etanol,

Da língua ao fervor do goto,

Em ventre roto,

Enrigecer a carne mole.

 

Soltar a voz,

Trovejante, rouca e acirrante.

Dar de beber à dor,

Acender a cor;

Laivo de gana ultrajante.

publicado por Gualter Ego às 03:00 | link do post | comentar

Tic. Tac. Tac. Tac. Tac.

Sou da terra,

A ela partenço,

A ela retornarei.

Futuro incerto,

Buraco aberto,

Sete palmos,

Sonhos calmos.

Madeira de pinho,

Esticado, e de fatinho,

Pálido e bucólico,

Não mais alegre melancólico.

 

Pum,

Morri.

Sorri.

publicado por Gualter Ego às 02:55 | link do post | comentar

Jejum.

Ah, coito, coito, morte de tão vida (...).

- Drummond de Andrade

 

O nevoeiro e o peso da pálpebras,

Não despem alegres túnicas de desejo,

Não deixam a fome findar no beijo,

Jejum de tudo; jejum de ti.

 

Boca imunda, olhos ingratos,

Abaixo de ti, apenas ratos,

Dúbia presença em cores de traição,

Morra quem mais me roube o coração.

 

Tenro lume, língua de fogo,

Cabelo a flutuar no semblante,

Olhar trocado, enganado, arrogante,

És tu quem me fuma a razão.

 

Agreste vento lesto e invernal,

Doce veneno, que amo e me faz mal.

Rompe-m'o frio, aquece a garganta,

Que, esta noite,

Quem já bebei a mais é quem canta.

publicado por Gualter Ego às 02:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Canção/Poema

Tenho os olhos quentes,

Doentes,

Cansados destas luzes frias.

 

Por que é que te ris?

Por que é que eu não te quis...?

Porque eu não sei,

Se eu me dei,

Por culpa do que não fiz.

 

It's getting dark, too dark,

To see.

Esta noite não te vi.

 

Tenho os olhos quentes,

Doentes,

Descrentes.

 

Blue moon,

Oh,

Keep on shinin'.

 

Oh Lua,

Oh estrelas,

Chamem o vento:

Que me desça a força,

Deixa-me fugir.

 

Vénus,

Pára de fingir.

 

"Dá-me lume".

publicado por Gualter Ego às 02:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
origem

Follow me, e assim...

origem

links

arquivos

Janeiro 2011

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
15
17
19
25
26
28
29