In the name of the Father.

Ó lua, que vais tão alta,

Redonda com'um tamanco!...

Ó Maria!, traz cá a escada,

Que eu não chego lá com o banco...

 

Provavelmente, esta quadra foi a primeira rima que ouvi, e de tantas vezes o meu pai a repetiu, primeira para fazer sorrir o petiz orelhudo que eu era, depois, talvez, quem sabe?, que me parece que seria para assegurar que eu não me esquecia deste pedaço de lírica, que é como um fio de algo que me prende ao passado, à terra e a poeira que trazia na roupa quando chegava a casa do jogo da bola, ao cheiro do milho, de correr por ele adentro, desfolhá-lo, tirar-lhe a barba-de-milho e fingir que era homem e tinha bigode e falava grosso, do cheiro do vinho a cozer, o fumo das queimadas e o frio húmido do que é uma manhã de Inverno cá pelos interiores e do vento, oh, o vento, a soprar na copa dos pinheiros. Digo aqui que esta quadra é a quadra mais importante da minha vida. Esta quadra sou eu. E tudo o que eu sou, coisa alguma eu seja.

Pai, levanto este copo a teu nome. És poeta sem rimar; fizeste de mim poeta, sem saber.

publicado por Gualter Ego às 18:25 | link do post | comentar | ver comentários (2)