Terça-feira, 04.01.11

A colher.

Acendeu-se a luz.

Em passos que mais pareciam reticências, dos pontos que marcavam em longas demoras, havia, agora, ganho coragem para entrar. Rodar a maçaneta não foi o mais difícil, pelo contrário, rodei-a com tal maldade que mais parecia que a queria arrancar, o mais difícil foi achar a porta, achar mãos suficientes para a tocar e, aí sim, encontrar a maçaneta. Tacteei o chão, o pó fazia-se levantar, sujava-me as mãos, foi para isso que foi feito o pó, para sujar. Encontrei uma colher. Limpei-a nos regaços da camisola.

A colher não existe.

A colher não existe.

publicado por Gualter Ego às 23:31 | link do post | comentar

A minha Cruz, por Manel Cruz.

"Por querer mais do que a vida,

Sou a sombra do que eu sou

E ao fim não toquei em nada

Do que em mim tocou."

- Manel Cruz

 

 

publicado por Gualter Ego às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Para gostar de viver.

Haja quem me leia nas entrelinhas.

Morra meu eu, empodreça meu corpo,

Calem-se as bocas
Que não são minhas.

publicado por Gualter Ego às 23:05 | link do post | comentar

Rouge.

Chaga será essa que tens hoje,

Chaga de sempre, estigma gangrenada,

A mácula de algo que te foi roubado,

Por ela, não aches que assim,

Haja sangue tão vermelho como

Teus cabelos,

Deves achar menos de ti.

Pesar e luto, nessa face não quer vê-los.

 

Na palidez há quem veja mais que tentação;

Para o tempo que falta e está por vi

Ajude-me a razão.

 

 

publicado por Gualter Ego às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Vampiros. #4

Sangue sempre teve

Paladar de sangue.

Não é com o sal das tuas lágrimas,

Que o teu sangue enferrujado,

Na minha língua entornado,

Vai mudar o seu sabor.

 

publicado por Gualter Ego às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Vampiros. #3

O teu deus, esta noite,

Vai ser amedrontada superstição

E não é ele que vai impedir meu olhar

De arrancar teu coração.

 

Irrisório discurso

De trovador; é só paleio,

Dizes tu.

Aqui me tens,

Quente, despido,

Para ti: cru.

 

Sacrifício a dois tempos,

Dar o que é de mim,

E puxar o que há em ti.

 

És o fundo do copo;

Há tanto tempo que não te vejo.

(Há tanto tempo que não te beijo).

publicado por Gualter Ego às 22:09 | link do post | comentar

Vampiros. #2

Pedir mais seria insulto,

Querer mais é humano.

Agarra meu feliz desengano,

Chupa-lhe o sangue,

Como quem quer matar,

Como quem mata pela primeira vez,

Como quem matará apenas por capricho.

 

Morri eu,

Morreste tu,

Pedir mais seria insulto.

publicado por Gualter Ego às 21:42 | link do post | comentar

...

São vinte e uma horas e cinco minutos do dia quatro de janeiro do ano de dois mil e onze. Nada se move.

publicado por Gualter Ego às 20:27 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Vampiros.

Triste fado,

Seja eu nascido e criado,

Seja ele cantado,

Não sendo eu de lutos e xailes,

Agradam-me mais os assuntos da carne

E os lânguidos bailes.

 

Não querendo por bem

Enganar quem me tem por bom homem,

Jovem feliz e sem maior mácula,

Sou uma besta,

Chama-me Drácula,

Sugar-te-ei o amor e a alma,

Qual sangue infernal

Bebido em lábios

Dessa tua gorja pálida e ardente.

 

Confesso um "amo-te";

Afinco-lhe o dente.

publicado por Gualter Ego às 18:41 | link do post | comentar | ver comentários (1)
origem

Follow me, e assim...

origem

links

arquivos

Janeiro 2011

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
15
17
19
25
26
28
29