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Tal na rua que começa,

Não saberás tu se é ali que ela acaba,

Se será o asfalto ou a calçada,

Tu ou a luz dos candeeiros,

Será a Lua, será a madrugada.

Dá a volta o tempo,

Meia-volta nas voltas das revoltas

Dos corpos e dos suores.

 

Tal será o nevoeiro,

Tal será a corpo inteiro,

Tal será a chuva que te aquece,

Ou o coração que me esquece,

Seja vinho, ou seja água,

Sejas tu,

Ou um qualquer saco de carne que me beije.

 

Seja o pão divino da carne sagrada,

Morra o fundo da garrafa,

Se é o nevoeiro que te agrada.

Turvem-se seios e leitos,

Calem-se bocas e proveitos,

Exalte-se o corpo e a estrada,

Se houver por caminhar,

Haverá sempre, dizem os optimistas,

E se o escuro se instalar?

 

Terei má sorte e mau-olhado,

Cairei de cara no chão molhado,

Mas tornarei a levantar,

As saudades engarrafadas,

E as paixões desenroladas,

Na ponta de um isqueiro,

Será assim, um ano inteiro,

Até que se chegue ao fim da rua.

 

Viremos nós,

Amável esquina,

Viremos nós,

O choro, a mágoa e as palavras,

Em riso, amor e cantigas à guitarra.

 

Fomos nós quem terminou,

Em determinar o acabar,

Eu acho que não te sei amar.

publicado por Gualter Ego às 02:29 | link do post | comentar | ver comentários (1)