Quinta-feira, 30.12.10

Dans une vie miseráble.

Chamemos-lhe

Uma aparição,

Que desceu por mim

A estranheza e a razão.

 

Até onde pegam

O quão longe peguem os meus dedos,

Não saberei se querei tocar,

Em mais que não sejam ansiosos medos.

 

E a chuva, que lá fora cai,

Sei eu bem que faz por cair.

E a tristeza, que cá dentro se arrasta,

É uma infeliz inspiração nefasta.

 

Que alguém me corte os dedos,

Que alguém me arranque a língua,

Impeçam-me de escrever tais enredos,

Que mais não seja por respeito a quem me pariu.

publicado por Gualter Ego às 02:10 | link do post | comentar
Segunda-feira, 27.12.10

As putas.

As palavras são como as putas. Há-as desde que nos lembramos. Andam pelas bermas do que quer que seja até que alguém as agarra, deita-as à berma quem as agarrou, no fim de lhes dar uso, e outro alguém vem usá-las, em jeitos e termos que só a eles lhes concerne, sejam eles de solidão, amor mal-amado ou ironia, hipocrisia, ingenuidade. Tal como as putas, as palavras deveriam ter um preço. Temo-las como garantidas. É certo, é, também, o nosso vocabulário que nos faz homens e nos distancia dos restantes animais. As imagens não valem por mil palavras, o silêncio e o gesto, o verbo, sim, valem por mil palavras.

Apaixonar-me-ei por quem quer que consiga tirar um amo-te do silêncio absoluto.

 

"... nada mais o amor te deve, mas é o coração que o escreve."

- Manel Cruz

 

 

 

 

 

(!!!)

?

publicado por Gualter Ego às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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