Domingo, 05.12.10

É dia de chuva e noite de dilúvio.

Todo eu sou tacto,

Porque todo o eu te quer tocar.

Mas toda a distância que nos separa

É boa rima para eu cantar.

 

Por que é que o destino
Me faz te amar,
Se longe e intocável,
Mais longe que a mão que te quer beijar
Eu te posso tocar?

 

O feitiço do fumo
Das curvas, da carne,
De tudo o que te faz arder
Em meu humilde e quase puro pensamento
É, em mim,
Mais que desejo carnal,
Genuíno desalento.

Desculpa,
É o vinho que fala por mim.
Mas, pensa, pensa bem,
Considera-te, esta noite,
Mais que corpo amado,
Mim, eu, moi, je,
Embriagado, mas sincero.
Amo o que ao olhar fascina,
Não o que quero.

 

Demoro-me em juras de amor,
Como se para alguma coisa fossem de real valor.

De ti, meu amor,

Quero todo o silêncio, toda a carne,
Todo o amor.

publicado por Gualter Ego às 00:54 | link do post | comentar
Sexta-feira, 03.12.10

Morte, a mais bela das mulheres.

Se a Morte se matasse,

Antes de ter morto tudo o que respira,

O génio egoísta do homem não iria gostar da partida,

De lhe terem roubado o bilhete,

Só de ida,

Para a ilha perdida.

 

Mas quando matou
Tudo o que havia para matar
A Morte, então,

Deu por si a fumar
Por ser demasiado preguiçosa
Para se enforcar.

 

Ficou sozinha.

Nem uma mosca para esmagar.

Nunca mais o fedor quente

E absorvente,

Das tripas do homem mais descrente.

 

Nunca mais um último suspiro.

Nunca mais um par de últimas palavras,

Nada mais por cima dos sete palmos da última morada.

A Morte, por dentro, está morta,

Acabada.

 

Sentada à sombra do arvoredo,

Vai comendo, para passar o tempo,

Os trapos negros do seu manto,

Pode ser que o que está feito se desfaça,

Entretanto.

 

O humor incompreendido da Morte,

Se fez ver,

Quando foi o coveiro o primeiro a morrer.

publicado por Gualter Ego às 21:31 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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