Um copo meio-cheio de tão vazio que está.

A eternidade é uma sala escura. Nessa tal sala escura, um candeeiro que pende do tecto emite uma luz pálida, fraca e intermitente, na qual duas traças se deliciam, dançando abruptamente uma com a outra, lançando-se sem dó sobre a lâmpada que atacam. Esse candeeiro alumia uma cadeira velha, de madeira carunchosa, envolta numa camada antiga e espessa de pó; sobre a cadeira, um copo de água meio-cheio, de tão vazio que está. O copo, e o seu conteúdo, não existem. A cadeira, o candeeiro ou as traças, nem esses, sequer, existem. Toda esta sala, a eternidade, eu, tu: ilusão.

E existir; que é isso?

publicado por Gualter Ego às 21:15 | link do post | comentar | ver comentários (3)