Até amanhã.

Mil nomes tenho eu, na tua voz agora tremida, hesitante e insegura, mil rugas tem essa tua cara, a textura do teu sacrificado e vivido ser; e as tuas mãos não pegam nas minhas como dantes. À força das minhas, junta-se a fragilidade das tuas e dos ossos que sobressaiem na carne: essas mãos que tanto pão com manteiga me deu a comer e tanto cabelo me afagou. Se te fores sem eu te poder dizer que te amo, perdoa-me. Prevalecerá o teu sorriso ragasdo e o teu olhar castanho, com um brilho profundo, porque sempre me sorriste e nunca me levantaste a mão.

Um beijo, vó. Até amanhã.

publicado por Gualter Ego às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (6)