Quarta-feira, 06.10.10

Balbúrdia

Num segundo, a nossa vida,
Em que eu sou em toda a gente,
Caos, balbúrdia,
Deliciosa anormalidade demente.

Se abusamos do tempo eterno
E das promessas do sangue e da carne,
Foi a tradicional ilusão
De que o amor é tesão

 

Não há dignidade no querer para ter:
Isso não é amor, é ganância.
E, se o tempo é assim tão relevante
Ter-me-às num futuro pouco distante.

Em que o homem que sou
Será o homem que fui
Insistindo em cantar o amor, sem sentido
À custa do meu coração falecido

publicado por Gualter Ego às 23:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Essa tua fome

Essa tua fome,

Que te atormenta o toque e a voz,

Talvez não seja mais que a poesia

Que há entre nós

 

Essa tua fome,

Em que partes sem trancar a porta,

Correndo atrás da mão

Que já não te conforta.

 

Essa tua fome,

Que te arranha a sanidade,

Te desfaz a pele e os lençóis, de noite,

Na procura de uma outra fogosidade.

 

E nada pode fazer a minha voz,

Perdida na inocência.

Nada pode tocar a minha mão,

Desconfiando a minha existência.

publicado por Gualter Ego às 23:18 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Romeu & Julieta.

Assim como Romeu

Se fartou da palavra "amar"

Hesitou, suspirando

Antes de se matar.

 

Com Julieta, em seus braços,

Morta, pálida e gelada,

Romeu entregou a inocência

Em sua alma assassinada.

 

Não viu seus olhos se abrirem,

Nem da sua voz ouviu o doce chamar,

Engoliu, de um trago, o veneno,

Cegado pela tara de querer morrer a amar.

 

Gritou por ele, Julieta

Um negro desespero, em corpo quente

Que o que está morto, assim deixado

Não ouve, nem sequer sente.

 

Julieta, foge daí,

Que a morte de amor se disfarçou e te quer levar,

Isto do suicídio apaixonado,

É cegueira doentia, não é amar.

publicado por Gualter Ego às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (16)
origem

Follow me, e assim...

origem

links

arquivos

Outubro 2010

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
15
18
21
27
28
30
31