Domingo, 19.09.10

40.

Larga-me!

publicado por Gualter Ego às 02:47 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Não.

Este silêncio, obsceno, está a matar-me por dentro.

Não partas, fazes-me bem.

publicado por Gualter Ego às 02:05 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Ao pó.

Não se vê, nas larvas, o luto, de quem presta homenagem ao que cessou, a quem morreu. Vês sim, nas larvas, a fome de carne falecida, empodrecida. Paras elas, reduzidos ao todo pouco que somos, seremos todos iguais: alimento, festim, banquete. A madeira do nosso caixão, inquestionável tradição funerária, atrito ao seu apetite voraz. Ao pó, vamos, porque do pó viemos, filhos da lama, feitos de barro, carne fria e fraca, que se perde nos olhares mais convidativos.

Não importa como viveste, nem como morreste, no fim, és comida de insecto.

publicado por Gualter Ego às 01:52 | link do post | comentar | ver comentários (2)

A sobriedade é pouca.

Quase que te adoro, como um deus, em minhas palavras, quando tudo o que eu sou é cobardia, e nada mais eu digo, senão aquilo que vejo na rua, nas caras e nos corações dos que passam. Eu não existo, recuso-me. Eu não resisto, entrego-me, recebes-me. O meu corpo é informal e cheira a ti. Antes, foi a morte tudo o que eu pedi, agora, só peço lume.
Tens lume, perdição?

publicado por Gualter Ego às 01:47 | link do post | comentar

Ao meu lado.

Sinto-me vivo.

Reduzido, fumado,

Humilhado e esquartejado.

Não quero ninguém

Ao meu lado,

Senão um outro meu eu.

 

É amargo,

Esse teu calor.

Esse teu beijo,

Foi escuro, sem cor.

 

Je veux pleurer.

publicado por Gualter Ego às 01:30 | link do post | comentar

Vómito repetido.

O meu mundo encheu-se de dúvida, quando te vi. Há muito que tinha perdido a vontade de falar, de escrever, de respirar, de morrer. Há muito que mentia ao mundo (ao meu corpo, até), omitindo tudo o que me diziam as lágrimas. Como te amo, aqui, assim, a toda a hora, à luz da lua, eu, ingénuo passageiro deste comboio escuro, pálido e mórbido, que cheira a mijo e a nojo, chamado vida.

publicado por Gualter Ego às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Melancolia.

Desejo.

Um desejo intocável tirava todas as forças que restavam no seu frágil corpo feminino. Tudo lhe relembrava o toque da sua pele, o seu suave cabelo negro, os seus dedos, que pegavam em uísque ardente com tanto carinho como ele lhe tocava mais que a face, o coração. Perdeu-se, por fim, nesse seu amado uísque ardente. Roubou, a si próprio, a vida que lhe foi dada, em jeito de presente irónico, como o álcool que lhe aguçava as palavras e lhe ofuscava o caminho.

Toda esta história, terminou com um sabor salgado a lágrimas dolorosas, que caíam, nos lençóis, em câmara lenta. Bebeu, de um trago, um copo do mesmo uísque em que ele, parte de si, se perdeu e encostou o revólver à cabeça.

 

publicado por Gualter Ego às 00:58 | link do post | comentar

Bom dia.

publicado por Gualter Ego às 00:48 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sangue.

Ouves os meus passos?

Os meus olhos procuram-te, inquietos, pelos cantos desta sala poeirenta. Acaba com o meu despero. Mata-te!, ou mata-me.

Amor, amor, amor!

Mata-me. Rompe-me a carne.

 

 

 

 

 

 

Sangue.

publicado por Gualter Ego às 00:46 | link do post | comentar

Esta noite sou uma mulher.

O meu corpo transpira medo e revolta, entregando-me a ti, ás cegas.

Os lençóis de cetim acariciam-me a palidez do peito e das pernas, que contrasta com a escuridão e a perdição da fonte em que há muito tempo esperas por beber. A frieza das tuas mãos ásperas, alimentado-se nos meus seios, arrebata o meu pudor, arrepia tudo o que eu sou.

Quero-te, finalmente, alheia à razão e áquilo que ela me diz, dentro de mim.

publicado por Gualter Ego às 00:34 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Luzes.

Luzes, cor de âmbar, alumiam a tua carne, fonte dos meus desejos carnais mais nojentos e mais puros. Isto que me aquece o sangue, aqueceu-o a muitos outros; fogo que se balança sobre mim. Por que é que a sobriedade traz tantos dilemas, se quando assim estás, como eu, livre e apaixonado, se vê o mundo desfocadamente belo, ao ritmo dos carros que passam?

É meia-noite e tu suspiras comigo.

publicado por Gualter Ego às 00:31 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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