Quinta-feira, 17.06.10

Morte.

"Dois dias depois, outro homem se levantou da cama pelas três da manhã e disse, como quem declarava uma verdade inquestionável:
-Estou a morrer.
Desta vez não havia ninguém ao seu lado. Voltou a deitar-se e adormeceu."

 

Pedro Zambujo

 

 

Estamos a morrer, é a triste feliz notícia, de que a vida não tem sentido, sequer qualquer objectivo que nos faça achar que estamos neste mundo podre e infernal, respirando o ar sujo da manhã e do resto do dia que percorremos, em rotina desmesurada, achando que ter uma carreira é ter uma vida, para fazer alguma coisa de significante, até que tudo se apaga num último suspirar, num último pestanejar, como aquele se dá antes de adormecer, mas com este não se acorda mais. Morrer é descansar, é a rotina que temos, acrescentada à rotina que fazemos, porque o homem inventou a pressa, depois de inventar o tempo, para impôr a ordem no mundo, sem pensar que é tudo um esforço sem sentido.

 

Morrerei feliz, julgo.

publicado por Gualter Ego às 15:30 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Secretamente.

Secretamente, amo a vida, tudo o que ela me dá e tudo o que ela não me dá.

publicado por Gualter Ego às 15:14 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Eternamente.

Promete-me que serás tudo o que és e tudo o que foste, eternamente, que o serás, comigo e para mim, para sempre, até que um dia acabe a vontade de, simplesmente, ser.

publicado por Gualter Ego às 15:10 | link do post | comentar

Estar só.

I was a man who thrived on solitude; without it I was like another man without food or water.

Each day without solitude weakened me. I took no pride in my solitude; but I was dependent on it.

The darkness of the room was like sunlight to me.

 

Charles Bukowski

publicado por Gualter Ego às 14:49 | link do post | comentar

Ser livre.

Há muito tempo que desisti de querer ser livre.

Estou muito melhor acorrentado a alguém, enjaulado no desejo.

publicado por Gualter Ego às 14:47 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quem já não ama mais.

Apagou o cigarro no cinzeiro, apertou a beata com custo, acendeu um fósforo e fumou outro cigarro.

Estávamos num dia escuro de Novembro.

Ele estava sentado na poltrona da sala, uma poltrona bordeux, cor-de-vinho, de aspecto bastante boémio, virado para as estantes cheias de livros, vinis e álbuns de fotos. O único som que se ouvia era o da sua respiração enfumada e o da chuva a bater nos vidros da janela.

Levantou-se, pôs um vinil no gira-discos e deitou-se no chão, sem largar o cigarro, que fumava como se não lhe desse prazer.

Ele não é uma pessoa normal. Não vê televisão, não lê o jornal, bebe chá, em vez de café e é reservado nas palavras que diz e escolhe muito bem as pessoas a quem as diz.

 

No ar começou a ressoar a música do vinil que tinha posto a girar... Kashmir.

Foi na velocidade da sinapse que levou as vibrações ao cérebro, que ele começou a relembrar o passado. Parece que até a nostalgia, aquela brisa agradável de Primavera, chamada nostalgia, lhe doía quando o alcançava.

A partir daí, os pensamentos sobre ela, Ela, cercaram-no e ele viu-se, impotente, e insignificante, a relembrar as suas expressões, os sorrisos nos cantos dos olhos dela, a linha perfeita do seu queixo, o brilhar dos seus dentes e o tacto dos lábios dela, enquanto gemia, sofregamente, por amor, por saudade, por querer morrer.

 

publicado por Gualter Ego às 14:35 | link do post | comentar
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