#8

O encarnado forte bate-me nos olhos quando acendo a luz do candeeiro ainda de madrugada.

Era sangue.

Lavo-me com água fria e volto para a cama.

Acordo para sair e ainda está escuro. Duvido.

Nunca tinha duvidado das horas.

Saio. Chove.

Meu Deus, como chovia.

O céu fez chuva em mim e eu corri a saltei com ela, a chuva.

 

Aquela máquina empoeirada e barulhenta que me leva para a escola, hoje tinha um brilho tépido, que lhe dava um charme talvez boémio, talvez e apenas sujo.

 

Contaram-se sorrisos e abraços.

Sentiu-se o frio do Outono que se fez Homem e apareceu para nos apunhalar as costas com facas feitas de vento.

 

Volto para casa, de óculos molhados e testa quente.

 

O encarnado volta à história depois de um banho quente.

Entra-me na boca e suja-me os dentes.

Suja a água morna da pia ao se desvanecer como fumo.

Como fumo na água.

 

 

publicado por Gualter Ego às 19:49 | link do post | comentar | ver comentários (1)