O Verbo.

Há, entre o fumo dos incensos, humildemente torcido em sentido ascendente, um pensamento que me foge. Vai e volta, roda sobre mim, faz-me pirraça, cutuca-me, belisca-me, desliza e eu não o consigo agarrar. Oh, e nele está o sentido da vida, da morte e de tudo mais. Oh, e juro que já me terá baloiçado em sonhos, e embriagado com vinho, e só assim se me aparece, para eu não me lembrar.

É um cachopo matreiro, o pensamento, e, fatidicamente, o pensamento é tudo o que eu tenho. São noções, e razões; é a alma mater da essência do existir insosso.

Num intervalo de existir, num dia que passou, encontrei Jesus Cristo. Tentou vender-me haxixe.

publicado por Gualter Ego às 22:55 | link do post | comentar