Saudade.

Ó, dias de flores a desabrochar,
Trazei-me o cheiro da dama que amo,
Digam ao vento, que por ela eu chamo,
Digam-lhe, ó pássaros,
Ela não precisa de fugir,
Ela que venha dar-me a mão,
E tingir,
De escarlate coração,
Todo o resto da Primavera da minha vida.

Ela que venha,
Pois deixai-a vir,
Que meus braços a esperam,
E meus olhos desesperam,
Lacrimejantes objectos da saudade,
Que só vêem vazio quando não estás,
Ó donzela,
Minha amada,
Teu amor, minha insanidade.

Que todo um temporal se alevante,
No fatídico dia da tua régia morte,
Que o mundo se cale, daí em diante,
Por ter deixado partir a minha vida e a minha sorte.

publicado por Gualter Ego às 23:01 | link do post