A bola.

Faltam-lhe os dois dentes da frente,

Rapazote baixinho que ainda não é gente,

Vai dando pontapés na bola,

E tal bola é o seu mundo.

Empoeirado, suado e imundo,

Corre, rua abaixo, rua acima.

E a bola foge, prende-se num ramo de laranjeira,

Que puta de sorte,

E agora?, não há bola...!

Dá a pasmaceira,

Fitam os ramos à testeira de sol.

Passa menina de saia,

Nem um olá.

Atiram-se pedras, pedregulhos e calhaus,

Amandam-se paus; nada.

- Talvez quando chover a bola caia.

publicado por Gualter Ego às 00:05 | link do post