A colher.

Acendeu-se a luz.

Em passos que mais pareciam reticências, dos pontos que marcavam em longas demoras, havia, agora, ganho coragem para entrar. Rodar a maçaneta não foi o mais difícil, pelo contrário, rodei-a com tal maldade que mais parecia que a queria arrancar, o mais difícil foi achar a porta, achar mãos suficientes para a tocar e, aí sim, encontrar a maçaneta. Tacteei o chão, o pó fazia-se levantar, sujava-me as mãos, foi para isso que foi feito o pó, para sujar. Encontrei uma colher. Limpei-a nos regaços da camisola.

A colher não existe.

A colher não existe.

publicado por Gualter Ego às 23:31 | link do post | comentar