Dá-lhe no popxula.

Por não ser ser vivo tal que se assemelhe a algo que viva por viver e por não ser muito adepto das vicissitudes da vida, parece-me que, ao estar vivo, me encontro, da mesma maneira, da unha do pé à ponta dos cabelos, morrendo.

Não ache o leitor que isto é paleio satânico e anarquista e não me comece já a chamar vagabundo, herege e comuna, e que não seja a minha intenção induzi-lo a tais deduções, que eu sou adepto dos pessimismos, fatalismos, niilismos e outros ismos quaisquer que me queiram nomear. Chamemos-lhe um modo de vida bem regado a branco e tinto, naquelas metáforas todas que agora podia pôr aqui, para dar um certo toque de glamour (oui, je parle français, baguette, fromage), mais uns quantos carpé diames para dar uma de cliché saboroso. Chamemos-lhe... fugir. E há quem me chame doido. Seja: tudo menos ficar calado.

Há por aí quem cante, dance e assobie uma certa melodia como quem grita, em jeitos de gritar. Há por aí quem lhe dê no popxula. Há, por aí, quem se importe. Há por aí quem não chegou a vivê-la, nem sequer a cheirou, mas houve uma revolução que o foi sem o chegar a ser que vem nos manuais da escola. Houve estátuas e feriados.

Cidadão? És um pau-mandado contribuinte desligado de tudo menos da tua televisão.

Há gente, há homens, há jovens, porra, haja quem grite! "Amanhã, que isto não são horas...".

publicado por Gualter Ego às 01:37 | link do post