Língua presa,

Se houver retrato teu,

Que faça justiça às gotas de tinta

Com que foi pintado o teu corpo,

Terei sido eu o artista,

Que por detrás do pincel,

Terá, na tela, desenhado,

Tanta beleza,

Tanta pureza,

Tanto amor, na certeza,

De que amar é mais do que o amor nos diz,

É estar cego e pintar todas as curvas,

Daquilo que dizes que és, não o sendo,

Da mesma maneira, em ti morrendo,

Todo o fogo que,

Em ti gemendo,

Vai queimando a lenha que eu sou?

 

O cigarro que te fumou,

O ventou que te levou,

Dente-de-leão, túlipa desencarnada,

Vai brincando com a fotografia

Que o meu amor tirou.

 

Não há nada como um gole de porto,

Para acabar com a frieza,

Da língua presa,

Que por ti teima em chamar.

publicado por Gualter Ego às 01:56 | link do post | comentar