É dia de chuva e noite de dilúvio.

Todo eu sou tacto,

Porque todo o eu te quer tocar.

Mas toda a distância que nos separa

É boa rima para eu cantar.

 

Por que é que o destino
Me faz te amar,
Se longe e intocável,
Mais longe que a mão que te quer beijar
Eu te posso tocar?

 

O feitiço do fumo
Das curvas, da carne,
De tudo o que te faz arder
Em meu humilde e quase puro pensamento
É, em mim,
Mais que desejo carnal,
Genuíno desalento.

Desculpa,
É o vinho que fala por mim.
Mas, pensa, pensa bem,
Considera-te, esta noite,
Mais que corpo amado,
Mim, eu, moi, je,
Embriagado, mas sincero.
Amo o que ao olhar fascina,
Não o que quero.

 

Demoro-me em juras de amor,
Como se para alguma coisa fossem de real valor.

De ti, meu amor,

Quero todo o silêncio, toda a carne,
Todo o amor.

publicado por Gualter Ego às 00:54 | link do post | comentar