Morte, a mais bela das mulheres.

Se a Morte se matasse,

Antes de ter morto tudo o que respira,

O génio egoísta do homem não iria gostar da partida,

De lhe terem roubado o bilhete,

Só de ida,

Para a ilha perdida.

 

Mas quando matou
Tudo o que havia para matar
A Morte, então,

Deu por si a fumar
Por ser demasiado preguiçosa
Para se enforcar.

 

Ficou sozinha.

Nem uma mosca para esmagar.

Nunca mais o fedor quente

E absorvente,

Das tripas do homem mais descrente.

 

Nunca mais um último suspiro.

Nunca mais um par de últimas palavras,

Nada mais por cima dos sete palmos da última morada.

A Morte, por dentro, está morta,

Acabada.

 

Sentada à sombra do arvoredo,

Vai comendo, para passar o tempo,

Os trapos negros do seu manto,

Pode ser que o que está feito se desfaça,

Entretanto.

 

O humor incompreendido da Morte,

Se fez ver,

Quando foi o coveiro o primeiro a morrer.

publicado por Gualter Ego às 21:31 | link do post