Água.

Tão essencial, tão pura,

Pele clara, bondade e candura,

És como a água que bebo,

És chuva; calor do lume em minhas mãos,

Ofereço-te, na ternura, uma rima enfeitada,

Assombrada por silêncios vãos.

 

A beleza que de ti transborda,

(E as palavras que em ti mergulham)

Por altos homens, tão baixos, tão rudes,

Ignorada com um bocejo.

 

Serei ateu e anarquista,

Romântico ou fatalista,

Se prefiro dor sem glória,

Morrer e perder-me na memória.

 

Humildemente, na plenitude de um beijo,

Canto sem música,

Todo o nosso amor,

A quatro tempos, em Mi menor,

Se o talento não me ilumina:

Ao piano, um arpejo.

 

Noutras ruas esta chuva já caiu:

Outros homens ela molhou.

Conheço-lhe o frio a a piedade,

Onde não há sol ou serenidade.

 

Nada disto diz "te amo",

Nem que teus olhos são pérolas imaculadas,

Teus seios, calor

Mas no meu bater do peito,

Conheço esse teu jeito,

De me entenderes, sem eu falar,

De me beberes, sem te importar,

Que eu seja a água suja, salgada

Do teu mar.

publicado por Gualter Ego às 19:38 | link do post | comentar