Melancolia.

Desejo.

Um desejo intocável tirava todas as forças que restavam no seu frágil corpo feminino. Tudo lhe relembrava o toque da sua pele, o seu suave cabelo negro, os seus dedos, que pegavam em uísque ardente com tanto carinho como ele lhe tocava mais que a face, o coração. Perdeu-se, por fim, nesse seu amado uísque ardente. Roubou, a si próprio, a vida que lhe foi dada, em jeito de presente irónico, como o álcool que lhe aguçava as palavras e lhe ofuscava o caminho.

Toda esta história, terminou com um sabor salgado a lágrimas dolorosas, que caíam, nos lençóis, em câmara lenta. Bebeu, de um trago, um copo do mesmo uísque em que ele, parte de si, se perdeu e encostou o revólver à cabeça.

 

publicado por Gualter Ego às 00:58 | link do post | comentar