Sou artificial, escrita, em prosa.

A beleza de um corpo nu, só o sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.

 

- Fernando Pessoa

 

 

Sou artificial, escrita, em prosa, poesia, versos que não sabem rimar, fazendo pouco da própria vida que mal sei viver. Sou o meu próprio alter ego. Heterónimo amedrontado, afastado do corpo que o escreve, cobardemente escrevendo-me na segunda pessoa, cantando o amor, como se alguma vez viesse a saber o que o amor é.

 

Distancio-me do monte de carne execrável pensante que sou; no meu corpo nu, nem tu, meu amor, encontrarias beleza alguma.

Distanceio o pensamento, que me leva em linha recta às curvas do nosso amor. Hoje, só a minha cama me sabe receber.

publicado por Gualter Ego às 19:39 | link do post | comentar