Amor como nos filmes III

Meio sem-jeito, num gesto de melancolia revoltada, apimentado com um feminismo envergonhado e inocente, bebeu de um trago, o uísque que esperava por ser engolido, dentro de um qualquer copo de vidro.

Fechou os olhos, com a garganta a arder, e deixou-se cair, nua, em todo o seu brilhante semblante, na cama que ainda cheirava a ele.

Com os lençóis a avivar-lhe as curvas, descendo pelo seu corpo angélico, culminando na púbis, desejo negro e mórbido, segredo bem guardado, até há pouco tempo, fazia parecer que tinha saído do sonho e dos pincéis, de um qualquer pintor mais talentoso.

Adormeceu sozinha, imaginando o calor dele, e a sua respiração, debaixo dos lençóis.

Não é loucura, que lhe aquece o corpo, nem tampouco o uísque, é a libido.

 

(E isto, que leram, não é amor, é luxo.)

 

publicado por Gualter Ego às 23:19 | link do post | comentar