Do Homem, do homem e das coisas.

Ando profundamente saturado, desmedidamente cansado, de pensar na condição humana e naquilo que significa ter nascido homem pensante. Homem sábio a dobrar, dizem os livros. Nós não sabemos nada, é o que é.

A inteira fundação do nosso ser, a pedra angular, encontra-se nos nossos genitais.

E é com eles que o Homem pensa.

 

E, como pode falar o homem de justiça, de perfeição, de beleza, se tudo o que é humano é indolente, execrável, vil e lascivo?

Na infinita, e perpétua em cada um, imperfeição do Homem, se assim foi criado por Deus, um novo nível de discurso, imperfeito, como pode ser esse nosso Deus, a quem chamamos Pai e Senhor, tal figura proclamada de perfeita?

(Poderá o Perfeito criar o Imperfeito?)

 

Precisamos assim tanto de acreditar que a vida não cessa quando se deixa de se estar? Por que é que continuamos a temer o nosso fim, a morte, se sabemos que é o nosso inevitável fado? Experimentemos viver conformados. Conformados com aquilo que somos, e com o pó que seremos. O sentido da vida, ninguém o sabe; o sentido da vida de cada um, ou está feito, ou por fazer.

Façam-no, criem-no, vivam-no.

 

Vivam, então, formando um novo sentido de vida, não vivendo pela tirania das palavras de outrém, pelas imagens, vozes e mentalidades que vos são impostas. Vivam sendo ninguém, porque é isso que somos todos, não esperando que sintam a nossa falta quando morrermos, nem que chorem no nosso velório. Querer nunca é demais, se estivermos dispostos a dar e sacrificar tudo, para ter tudo. “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”  O saber é que tem de ter limites. Afinal de contas, somos demasiado pequenos para responder a todas as perguntas que nos atrevemos a fazer.

O homem é tão imperfeito e corruptível, que se pode tornar um louco através do intelecto puro.

 

 

Um novo significado de humanidade precisa-se urgentemente.

 

publicado por Gualter Ego às 20:15 | link do post | comentar