Escrito numa folha pautada, fruto do tédio.

Às nossa inúteis lamúrias,

Bebo.

Bebo o trago amargo e ardente,

Da água-ardente;

Sonho o meu sonho demente,

Sonho por ti: doente.

 

Não posso cantar o teu nome,

Mas quando o oiço, ele beija-me.

Como se fosse matéria

E tivesse lábios.

( Disto, não escrevem nem os mais sábios )

 

"... a boca, tardando-lhe o beijo, mordia..."

O meu fado é este:

Não haver palavras suficientes para mim.

Para mim e para falar dos outros, assim,

Em verso.

 

Não sei como há-de alguém

Gostar daquilo que lhes mostro que sou

Mãos frias e coração frio.

O ego, que o elogio alargou.

 

O sono chegou

E o teu beijo teima em tardar.

Uma nova chama se acendeu,

Sofro e deixo-me navegar.

Não vou mais "procurar quem espero".

publicado por Gualter Ego às 15:37 | link do post | comentar