Limitar-me-ei a existir.

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

 

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

 

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

 

 Fernando Pessoa

 

 

Digo, muitas vezes, que o ignorante morre feliz.

Não sei se possuo o calibre suficiente para assumir que penso, como Pessoa pensava, mas, julgo eu que, a única diferença entre ele e eu, é o domínio do vocabulário e a melancolia. (Dito assim pareço arrogante, mas até o invejo, porque me faltam as palavras e o sofrimento, só para poder escrever sobre ele.)

Gostava de me limitar a existir, e sorrir.

Gostava de poder dizer que sou feliz, que a vida é bela e que adoro ouvir os passarinhos a cantar logo pela manhã, mas não, não consigo.

 

 

publicado por Gualter Ego às 15:46 | link do post | comentar