Na contracapa de um livro de poemas. (1)

O relógio sussura-me sessenta e sete minutos para lá da meia-noite.

Estou acordado, quem diria, e a escrever. Algo de errado se passa, portanto.

 

Em mim há uma inquietação paquidérmica, causada pelo dilema de não saber se esta vontade que me aperta o peito é vontade de viver ou de adormecer e não mais acordar.

Tudo isto porque se acabaram as metáforas e os eufemismos e sinto que tudo o que poderei vir a escrever será explícito demais e eu vivo do que é implícito.

Talvez tenha vergonha, ou então já nasci envergonhado.

A culpa, ao contrário do que se possa pensar, não é das raparigas, nem do amor incerto que elas trazem, nem das poucas horas de sono. Às hormonas dou o benifício da dúvida, mas sinto que a culpa é das palavras que não existem e dos sentimentos escondidos e impossíveis, até, de adjectivar.

publicado por Gualter Ego às 15:31 | link do post | comentar