O ano da morte deste e daquele.

A ironia mais fecunda da vida é a realidade em toda a sua dinâmica. É nossa até à hora derradeira em que deixamos de estar - não há mais nenhuma que possamos conhecer que não esta. Porém, ao morrermos ela continua. No fim, saibamos que não somos necessário ao real das coisas. Somos um seixo no vau de um rio; podemos, até, presunção e água benta, já dizia a minha avó, achar que o caudal se desvia por causa nossa. Súbita vem a morte e joga connosco ao ricochete. Estralejamos a silvar na superfície e quedamo-nos para lá da margem. Nada mais. Por tal, estando a morrer, saibamos, quase maliciosos, deixar-nos ir.

publicado por Gualter Ego às 17:55 | link do post | comentar