O soneto possível

Mirar rasgado,
Sob o cabelo rastejante,
De plangência etérea,
Demoníaca o bastante.

Pele fria, em cal viva,
Lividez de brilho - marmórea,
Lábios cortados, num sopro, que
Beijam e queimam e gangrenam na memória.

E se lhe acravasse, no boca, um beijo,
Num laivo de insensatez picada,
Quedaria socho, por consumado.

Amor não é, se amor sobejo,
Uma fome santa aliviada,
É, somente, haver sonhado.

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publicado por Gualter Ego às 23:12 | link do post | comentar