Vê se acordas, homem.

Já que os cães dão a pata (outros fingem de mortos),
Já que os papagaios dizem palavrões (os corvos também conseguem ser tortos),
Já que os gatos fazem na areia (bichos asseados, só lhes falta falar),
E até os porcos são bons para entreter (e são mais limpos do que se consegue acreditar),

Ensinemos os meninos,
Vinde eles, criancinhas,
Cheguem-lhes as réguas e os lápis,
Decorem as tangentes, e as guerras,
Os rios, os distritos e as serras,
E decorem as constituições e os regicídios,
Não vos deixai emocionar pelos genocídios,
Decorem as revoluções e as insurreições (mas não tentem isto em casa),
Aprendam que nada na filosofia é concreto,
Na poesia tudo é correcto,
Mantenham os livros por perto,
Exercitem o corpo e o intelecto,
Mas atentem no professor: o que ele acha é o que está certo.

A memória é descartável, como aquelas kodakes de mil paus.
Confiai que se souberes o 1143 sedes um bom português.
Confiai que tendes toda a razão quando dizeis que o outro era um bêbado
E o outro não sabe meter as vírgulas.

Deixa que eles te marquem como o gado,
Número tal e número tal, até a disciplina estar feita.
Engenheiros e economistas aqui por este lado,
Os restantes, cambada de comunistas, aqui pela direita.

O valor da tua geração é a média de um exame.
Um filho da puta de um exame.

Vê se acordas, homem.

publicado por Gualter Ego às 20:40 | link do post | comentar