Quarta-feira, 10.04.13

E uma quadra.

É irrelevante se Jesus de Nazaré bebia cerveja ou bebia vinho,
Porque em verdade (em verdade vos digo) o que é preciso
É estar sempre levemente bêbado, para realmente conseguir amar
Como a nós mesmos, o nosso próximo e o nosso vizinho.

publicado por Gualter Ego às 23:22 | link do post | comentar

4

Parece que tudo é contraste, comparação, competição, tudo se resume a ver quem tem a pila maior, o bolso mais fundo, o altruísmo mais puro, a bondade mais impecável, a beleza mais conformada, se o pobre deu tudo o que tinha e ganhou o céu então vou dar um pedaço mais que tudo e enfeitar o arranjo com um lacinho, que deus te dê o dobro daquilo que me desejas, é declaração mais diplomática, desejas-me bem, que recebas o dobro, limpo e sem interesses, desejas-me mal, então que te caia o mal ao quadrado, é o que mereces. E no fim nada importa, a vida não passou de um sonho e nós fizemos dela uma maratona, não deixámos cá neste mundo senão suor e pernas doridas. Nada temas, menino, na morte e no cagar somos todos iguais.

publicado por Gualter Ego às 23:21 | link do post | comentar

3

Lembra-te que dos virgílios e homeros ficou senão aquilo que eles dos outros contaram e o fatal aborrecimento dos factos, porque às vezes quem escreve só o faz para ter que reparar nos outros, já que os outros nele não reparam.

publicado por Gualter Ego às 23:21 | link do post | comentar

2

O que pensas e não dizes e eu julgo que mo dizes porque assim me olhas, e então digo-o eu e finges-te ofendida é o que me faz ganhar insónias. Não gosto de perder tempo nestes jogos, mas o meu passatempo favorito és tu e se há quem faça das tripas coração, bem eu posso fazer teu o meu tempo, gastá-lo contigo e em ti e talvez um dia to possa pedir com juros. Não censures o que a minha boca diz e os meus dedos fazem se é o que a tua cabeça pensa. Não renegues o que os meus dedos escrevem e a minha boca quer se é isso que te faz tremer.

publicado por Gualter Ego às 23:21 | link do post | comentar

1

Por um momento, um segundo só que pareceu um século, flutuou a minha mão esperando, gerações se passaram, árvores se plantaram e enfim morreram, muralhas se levantaram e por fim ruiram, homens nasceram e assim morreram, e mulheres também, foi tanto tempo quanto a minha mão demorou a desviar todo o vazio que ia desde a quietude à acção, poisou portanto na tua perna e derramou-se em calor pelo tecido que a cobria, como uma pinga de vinho na toalha de domingo, a dolceza do meu sangue aquecido a alastrar-se pela tua coxa e a vontade a subir-te em calafrios, conflito de sentidos, é verdade, mas que facilmente se percebe e faz parelha, que tanto o corpo treme de frio como transpira de calor, assim o calor que invade as fronteiras do que é norma faz o corpo sentir um arrepio de aragem, é o sinal que algo se passa, é um alarme, é a portada aberta e a corrente de ar que resfria, e a minha mão só não subiu porque este parágrafo já vai longo e a vida é breve, e se eu sei que poderia, e que faria, então para quê o cansaço de fazer, fica só a ideia, a noção, não a manchemos com o que é facto, os factos são aborrecidos, pensa só na minha mão quente e na tua coxa fria, e uma mais a outra, as duas, que só com a associação de ideias consegui eu discorrer tamanha inutilidade, foi só uma mão e uma coxa e já me chamam de chato, obrigado e boa noite.
publicado por Gualter Ego às 23:19 | link do post | comentar
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