O Lamento

Desejo póstumo
E latente,
Dos teus lábios frementes.

O medo,
Na ponta da língua,
Do beijo, na pedra do anel.

Nos cabelos doirados,
Nos pescoços cinzelados,
Das espáduas ao flanco
Vénus em carne e sangue morno.

O beiço latino
De trovadores e anjos cantantes,
O fervilhar de calor nas maçãs do rosto,
Pegaram de fronte este rei-menino.

Ruim ganância a tirou de mim,
Adagas malditas.

Mas a quimera do noss'amor,
Não se fica pelo terreno.
É piedade e benquerença etérea,
Investida paixão no leito ameno.

Morte alguma, nem terra, nem verme,
Te tirará de mim
E Portugal te terá como senhora.

Rainha sempre,
Te proclamo, Inês,
Dos portugueses,
De além e de aquém,
Daqui e do além.

Exumada e
Eterna.

publicado por Gualter Ego às 18:14 | link do post | comentar