Assim me despeço, adeus até um dia.

Soneto de um Amor Gasoso

Ó bicos de gás,
Dizei em vossos rugidos,
Que calores são estes, tão atrevidos,
Como os pentelhos de Satanás.

Dai da vossa engenharia culinária
Alento a este meu coração apaixonado,
E se eu não for capaz de renascer curado,
Dedicar-me-ei à lide agrária.

Quando passas na avenida
De batom rouge e olhar louco
Meu corpo todo se arrepia.

És minha musa, meu ar, minha vida,
Dizer que te amo é pouco:
Por ti, até uma colonoscopia.

- Antero Ayres

publicado por Gualter Ego às 23:57 | link do post | comentar