Do Bukowski.

O Bukowski lá estava, numa capa de cor-de-rosa desmaiado, quase sujo, cheio de vincos, com o título Mulheres, assim mesmo, em itálico e o nome do sujeito, CHARLES BUKOWSKI, assim mesmo, por baixo, em letras capitais.

Tirei-o da prateleira, numa espécie de ansiedade marota, ui, vou ler um livro d'homem, isto é que vai ser, passei os dedos pela capa, examinei-a, examinei a grossura da publicação, abri-o ao meio, nomes estrangeiros e muitos pontos finais, bem, assim seja.

Sentei-me confortavelmente encafuado num sofá verde da biblioteca, o mais escondido, ladeado por um armário de madeira clara envernizada. Encostei lá a cabeça, cruzei a perna como homem que se digne - que é de maneira tal a ser possível jogar uma batotinha em cima da perna, afastada, em ângulo recto, horizontal, tal e qual - e abri o livro. Ah, mas que cousa era aquela. Comi trinta páginas enquanto a fome não venceu a batalha contra a vontade de ler, o que deu vinte minutos de leitura, mais coisa menos coisa.

Ao sétimo capítulo - são capítulos pequenos - já tinha contado três tusas inesperadas e tinha dado por mim com um sorriso de escárnio maroto e sádico pintado na cara - um smirk - por isso mesmo. Fui levar o livro à estante, e expirei como que confessando a mim próprio "assim está bem".

Ao sair da biblioteca dei um outro tal smirk e pisquei o olho à bibliotecária. Isto só com trinta páginas. Estou rendido.

publicado por Gualter Ego às 00:01 | link do post | comentar