Sousa é pombo bravo.

Li que sousa, de letra minúscula, sem conotação de nome próprio ou herança nominal de família ou gentílico por apelido, é o mesmo que dizer pombo bravo. (Aos menos sabedores se digna este parênteses: pombo bravo não significa um pombo valente e corajoso, mas sim um pombo que é selvagem.)
Ironia é quando sousa é apropriado ao se achar nomes jeitoso de se pôr em alguém e sai João Sousa, ou Ambrósio Sousa, ou qualquer coisa que o valha. Ironia, porque por mais bravo que seja o pombo a quem se dá o apelido de Sousa, depois de ficar o nome rabiscado em letra ilegível de notário, carimbado para provar a sua autenticidade, lá no Registo Civil, o pombo passa a ser mais um número, uma ave de aviário, cativo que come as migalhas que lhe estendem as mãos enrugadas, torna-se contribuinte e eleitor, são os seus deveres, e consumidor, está no sangue - de que nos vale um nome e uma pátria, se perdemos sempre esse sufixo, bravo?

Ora vai de comer com as mãos e lavar-se com a língua!

 

E tratam-nos como animais de trazer por casa.

publicado por Gualter Ego às 16:18 | link do post | comentar