da bebida.

Enquanto a História se divide, nos livros e nos compêndios, entre o tempo que havia antes e o tempo que há depois da encarnação do Espírito Santo no útero da virgem, a descida corpórea do santíssimo filho bastardo de deus, parido ao mundo para morrer pregado num pau, cortando a meio a linha cronológica da existência do tempo e fazendo rodar os calendários actuais, vem-me a mim parecendo que a curta projecção cronológica da não menos curta vida vivida de um jovem da minha geração é cronologicamente demarcada pelo quantidade fatídica e imponderada de álcool que consumiram num determinada, fatídica e imponderada noite, nalgum lugar ermo e escuro; e disso fazem chamariz, como provas de dureza e virilidade, que nem pavões mostrando a cauda psicadélica.

Assim vos falo, não tendo razões para falar por minha vez: o álcool é um mero auxiliar de sedução, seja de donzelas, seja de palavras. Não manchem o bom nome do vinho com o vómito com que sujam essas aleatórias valetas.

publicado por Gualter Ego às 15:03 | link do post | comentar