Miopia.

A miopia tolda-me o ver,

O sangue doente tolda-me o olhar,

E os olhos nus toldam o desejo,

Num soslaio, num segundo, num ensejo.

 

Tu (sim!) és a única ideia daquilo que te vês,

E eu, porém, olho aos outros,

Tentando roubar as vontades e as ideias

Sugando-lhes as emoções, o ar e a tez.

 

Sou Deus, moldo-vos como barro,

Ponho-vos palavras na boca,

Palavras, tais, que nunca dessas bocas imundas sairiam,

Faço-vos objecto, inspiração, eternidade louca.

 

E sou o Diabo, poeta,

E quando o Diabo puxa os fios,

Na hora que ele por bem achar,

O mundo todo tem de dançar.

 

 

publicado por Gualter Ego às 19:51 | link do post | comentar