Um pastel de nada.

A Morte saiu à rua num dia assim;

E eu estou sentado à mesa.

 

Correu pelas ruas à minha procura

E não me achou;

E eu estou sentado à mesa.

 

Bateu-me à porta, a Morte,

Bateu-me à porta

E eu dei uma trinca derradeira no pastel de nada

E empurrei-o pelo goto com um gole de café

E levantei-me.

 

Abri-lhe a porta e disse,

- Estás atrasada.

E ela, cansada,

Sentou-se comigo à mesa.

 

Falámos da política,

E do futebol.

Falámos do tempo

E das colheitas.

Dos nados

E das maleitas.

 

E, por fim,

A Morte se confessou:

- Tenho saudades tuas.

 

A Morte saiu à rua num dia assim.

publicado por Gualter Ego às 19:34 | link do post | comentar